Título original: A cosmética
por Luiz Felipe Pondé para Folha
Semana passada eu falava da "ética da beleza". Tema difícil. Defendi que mulheres bonitas devem usar, com moderação, a beleza como ferramenta na vida. E dizia que quem não usa é porque normalmente não tem. E que calcinhas fazem bem a vida cotidiana.
Falava também que a beleza é um fator contingente (fruto da sorte). Muita gente se pergunta se a beleza não é cada vez mais fruto da grana.
A sabedoria popular tem mesmo um ditado pra isso: "Não existe mulher feia, existe mulher pobre".
Isso é apenas mais ou menos verdade. Tem rica por aí que assustaria qualquer um a noite e pobre que encanta, mesmo que apenas na juventude. A relação entre grana e beleza se estreita à medida que os anos passam. Assim como a relação entre saúde e grana.
Sei que os "corretinhos" se irritaram com a ideia de que o mundo prefere as bonitas. Alguns desses "corretinhos" babam às escondidas em cima de meninas de 20 anos por aí, mas posam de sem preconceitos contra as mais feinhas. Não se deve confiar em pessoas que se dizem sem preconceitos. Os feios odeiam os mais bonitos.
Mas ser "corretinho" é marca de mediocridade, e infelizmente a mediocridade é enturmada e anda em bando, por isso ela é um risco contínuo para almas menos covardes (e por isso mesmo mais solitárias), desde a caverna.
Fossemos depender deles (os medíocres), não teríamos sobrevivido ao escândalo da seleção natural. A diferença é que hoje eles alçaram ao poder porque descobriram que são a maioria.
Uma das nobres funções da democracia é socializar o ônus da mediocridade dizendo que sustentá-la é um dever de todo cidadão, enquanto ser medíocre é um direito apenas da maioria.
Vinicius de Morais já dizia isso (que o mundo prefere as bonitas ou "me desculpe as feias, mas beleza é fundamental"), mas ele teve a sorte de viver antes de nossa nova hipocrisia do bem.
Mas o que me espanta é como tanta gente (os "corretinhos") se irrita quando digo a mais banal verdade (o mundo prefere as bonitas) ao mesmo tempo em que vivemos numa cultura obcecada pela beleza de forma descarada (com as palmas silenciosas dos mesmos irritadinhos).
Imagino muitos deles em frente ao espelho, às escondidas, se perguntando "espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?", ao mesmo tempo em que a insegurança os faz odiar a beleza dos outros.
Se você chamar a obsessão pela beleza de "direito a autoestima" os "corretinhos" não vão reclamar.
Mas a questão é que escondemos essa obsessão, achando que ela é apenas um pecado da publicidade. Quer ver?
Há algum tempo atrás, na Inglaterra, comerciais com imagens de mulheres "trabalhadas" por programas de computador foram proibidos porque passavam uma beleza "artificial" como padrão de beleza.
Acho que as pessoas que proíbem comerciais assim, o fazem pra não se sentirem feias (o espelho delas responderia "sim, existe alguém mais belo do que você") e não porque se preocupam de verdade com a veiculação do padrão de beleza "artificial", como dizem.
Imagine se um desses censores de comerciais desse tipo for alguém de uns 50 anos ou mais, com tudo que isso implica em termos de "ação da gravidade" sobre o corpo e suas capacidades fisiológicas.
Você acredita que algum deles não usará os instrumentos artificiais de beleza que condenam no comercial? O que no comercial é Photoshop, na vida real é a cosmética (esta, segundo o iconoclasta Karl Kraus, é a cosmologia da mulher).
Só não vão usar como também pagarão em 36 vezes no cartão sem juros. Babarão sobre os pretensos resultados, comprarão roupas pra realçar estes mesmos resultados e à noite chorarão de felicidade quando o espelho acusar a suposta melhoria estética. E pensarão no silêncio de sua solidão: "Meu Deus como é triste ser feio e velho".
Tornar-se-ão consumidores obsessivos de revistas, blogs, gurus e sites especializados em beleza artificial e discutirão no "Face" acaloradamente a favor do "direito ao aumento de autoestima" que esses tratamentos de beleza artificial garantem, pelo menos por algum tempo, até a próxima depressão.
Uso da beleza como instrumento de vida não é necessariamente canalha.
outubro de 2011
Artigos de Luiz Felipe Pondé.
por Luiz Felipe Pondé para Folha
Semana passada eu falava da "ética da beleza". Tema difícil. Defendi que mulheres bonitas devem usar, com moderação, a beleza como ferramenta na vida. E dizia que quem não usa é porque normalmente não tem. E que calcinhas fazem bem a vida cotidiana.
Falava também que a beleza é um fator contingente (fruto da sorte). Muita gente se pergunta se a beleza não é cada vez mais fruto da grana.
A sabedoria popular tem mesmo um ditado pra isso: "Não existe mulher feia, existe mulher pobre".

Sei que os "corretinhos" se irritaram com a ideia de que o mundo prefere as bonitas. Alguns desses "corretinhos" babam às escondidas em cima de meninas de 20 anos por aí, mas posam de sem preconceitos contra as mais feinhas. Não se deve confiar em pessoas que se dizem sem preconceitos. Os feios odeiam os mais bonitos.
Mas ser "corretinho" é marca de mediocridade, e infelizmente a mediocridade é enturmada e anda em bando, por isso ela é um risco contínuo para almas menos covardes (e por isso mesmo mais solitárias), desde a caverna.
Fossemos depender deles (os medíocres), não teríamos sobrevivido ao escândalo da seleção natural. A diferença é que hoje eles alçaram ao poder porque descobriram que são a maioria.
Uma das nobres funções da democracia é socializar o ônus da mediocridade dizendo que sustentá-la é um dever de todo cidadão, enquanto ser medíocre é um direito apenas da maioria.
Vinicius de Morais já dizia isso (que o mundo prefere as bonitas ou "me desculpe as feias, mas beleza é fundamental"), mas ele teve a sorte de viver antes de nossa nova hipocrisia do bem.
Mas o que me espanta é como tanta gente (os "corretinhos") se irrita quando digo a mais banal verdade (o mundo prefere as bonitas) ao mesmo tempo em que vivemos numa cultura obcecada pela beleza de forma descarada (com as palmas silenciosas dos mesmos irritadinhos).
Imagino muitos deles em frente ao espelho, às escondidas, se perguntando "espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?", ao mesmo tempo em que a insegurança os faz odiar a beleza dos outros.
Se você chamar a obsessão pela beleza de "direito a autoestima" os "corretinhos" não vão reclamar.
Mas a questão é que escondemos essa obsessão, achando que ela é apenas um pecado da publicidade. Quer ver?
Há algum tempo atrás, na Inglaterra, comerciais com imagens de mulheres "trabalhadas" por programas de computador foram proibidos porque passavam uma beleza "artificial" como padrão de beleza.
Acho que as pessoas que proíbem comerciais assim, o fazem pra não se sentirem feias (o espelho delas responderia "sim, existe alguém mais belo do que você") e não porque se preocupam de verdade com a veiculação do padrão de beleza "artificial", como dizem.
Imagine se um desses censores de comerciais desse tipo for alguém de uns 50 anos ou mais, com tudo que isso implica em termos de "ação da gravidade" sobre o corpo e suas capacidades fisiológicas.
Você acredita que algum deles não usará os instrumentos artificiais de beleza que condenam no comercial? O que no comercial é Photoshop, na vida real é a cosmética (esta, segundo o iconoclasta Karl Kraus, é a cosmologia da mulher).
Só não vão usar como também pagarão em 36 vezes no cartão sem juros. Babarão sobre os pretensos resultados, comprarão roupas pra realçar estes mesmos resultados e à noite chorarão de felicidade quando o espelho acusar a suposta melhoria estética. E pensarão no silêncio de sua solidão: "Meu Deus como é triste ser feio e velho".
Tornar-se-ão consumidores obsessivos de revistas, blogs, gurus e sites especializados em beleza artificial e discutirão no "Face" acaloradamente a favor do "direito ao aumento de autoestima" que esses tratamentos de beleza artificial garantem, pelo menos por algum tempo, até a próxima depressão.
Uso da beleza como instrumento de vida não é necessariamente canalha.
outubro de 2011
Artigos de Luiz Felipe Pondé.
Comentários
Ele deveria falar também sobre as correntes de Facebook e etc. Cansei de ver gente que tem nojo de cachorro de rua pedir pra "adotar um animal".
Em primeiro lugar, sim, a beleza é um atributo natural da maioria das mulheres, e isso, como ele mesmo disse, é resultado da seleção natural. Sou seja, sim, as mulheres são, em geral, mais bonitas que os homens. Não é machismo, elas são. Vê-se pelas curvas do corpo, a forma dos seios, do quadril. Bem diferente do homem, onde existe a beleza, mas menos evidente e em formas mais rústicas, sem curvas. Coincidência da seleção natural. Para pavões, os machos é que são belos e as fêmeas que são "mar ou menos".
Em geral religiões que possuem seres femininos como deuses usam a beleza como principal atributo da divindade, coisa que não acontece tanto com as divindades masculinas, onde o principal atributo é o poder, a força.
Ok, isso é do ponto de vista biológico. Fato, não tem como a gente lutar muito contra: as mulheres possuem a beleza como um atributo natural. Acontece que nossos valores e sociedade não devem ser baseados em atributos resultantes de aspectos biológicos (mas não deve ignorá-los ou negá-los, claro).
O que não entendo é este dizer do Pondé "as mulheres TÊM que usar esta beleza". Pô! As mulheres são cidadãs como são os homens, e têm o direito de fazer o que quiser com seus corpos, suas vidas. Elas não DEVEM coisa alguma que não seja o direito de um cidadão como qualquer outro.
Os recentes casos de "censura" que o autor tanto critica, não foram, ao meu ver, uma crítica contra a beleza feminina, mas sim o fato de sugerir que as mulheres devem usar sua beleza para resolver problemas que certamente não se resolvem com beleza ou sexo, tais como acidentes de transito, problemas financeiros, etc. Dá-se uma "trepadinha" com seu marido e tudo resolvido. Sei lá, é mais complicado que isso, e no momento não tenho muito tempo ou cabeça para escrever muito. E foca-se nisso: mulheres belas e burras que existem para usar sua beleza para seduzir homens ricos, elegantes e inteligentes (ou menos que as sustentem) e assim reiniciar o ciclo da vida.
Sinceramente não entendo esta onda de revolta dos "politicamente incorretos" contra os "politicamente corretos". É algo tão infantil quando o mundo é um local bem mais complexo que isso.
Ah sim, me lembrei deste link, que acho interessante para a discussão: http://www.paulopes.com.br/2011/02/suecia-proibe-anuncio-que-mostra-homem.html
Hipocrisia e fo...
Abraços!
Eu não entendo porque os textos desse cara são publicados aqui. Alguém me explica? (2)
Ou segue aqui o resumo do pensamento dessa moral conservadora cristã da desculpa teológica para fazer e acontecer contra gente feia:
http://igrejadoprimeiroimpacto.blogspot.com/2011/10/o-anjo-e-o-demonio.html?showComment=1318559072404#c5541385509809909967
Não sou esquerda, nem comuna, e achei uma palhaçada a censura à propaganda(como acho um crime hediondo toda e qualquer censura, sem exceção, sem "mas" ou "poréns"), mas apoiar esses recalcados da direita é que não vou.
Eu não entendo porque os textos desse cara são publicados aqui. Alguém me explica?
Também não entendo porque os textos desse cara são publicados aqui, imagino que seja mera provocação do P.Lopes
Meus olhos não são penico, não......
Fala sério.
A quem que o Pondé quer espantar, quando fala que beleza é algo que remete à contingência?
A quem quer espantar, quando fala que os democraticozinhos querem que todos sejam respeitados (e não que as bonitas deixem de ser bonitas e as feias passem a ser consideradas bonitas)?
Pelo que sei (e aprendi na universidade), democracia refere ao regime político, não é ficar cagando regras para os outros, para que as pessoas deixem de ser o que elas são. Não é mudar a própria realidade. É restrito a questões políticas. E só.
O que me pasma (e espanta também) é o quanto que se investe em porcaria, que, além de merda, não dá um resultado que preste. Uma boa medida educacional seria limar o dinheiro público que vai pra Globo, Folha, que sustenta esses picaretas, e colocar nas escolas públicas. Aí sim, o Pondé teria do que reclamar.
Aline
Ou seja, dá para ser homem-massa e pagar de malvadinho na Folha ao mesmo tempo. Crianças, tomem nota.
"Quem gosta de gente feia é cirurgião plástico e maquiador. Ninguém gosta de ter carro feio, casa feia, roupa feia (alguns gostam mas não percebem a feiúra) nem se estimula sexualmente por gente feia (claro que há exceções...). Então vamos para de lero-lero e discussão filosófica estéril, que o que importa é a essência, o interior (quem gosta de interior é caipira ou decorador). Beleza é legal, feiúra é pra ser lamentada. Quem é feio deve compensar pela simpatia e bons modos, já que a natureza não lhe concedeu a sorte da beleza.
Postar um comentário