Pular para o conteúdo principal

Primavera Árabe encoraja ateus a saírem do 'armário'

Ateus se assumem como tais em países onde
há forte preconceito contra descrentes 
Rafat Awad pregava fervorosamente o Islã em sua universidade, encorajando seus colegas a ler o Corão e a rezar. Mas o tempo todo, o jovem farmacêutico nascido na Palestina tinha dúvidas. Quanto mais tentava resolvê-las, mais elas cresciam. Finalmente, ele disse a seus pais, ambos muçulmanos devotos, que era ateu. Eles trouxeram clérigos para casa, para falar com o jovem, tentando em vão trazê-lo de volta para a fé. Acabaram desistindo. “Foi o efeito dominó: você derruba a primeira peça e o movimento continua. Eu pensei: ‘Isso já não faz sentido’. E me tornei uma nova pessoa”, disse Awad, de 23 anos, que cresceu e vive nos Emirados Árabes Unidos.

Alguém que se declare abertamente ateu é algo extremamente raro no mundo árabe, onde a maioria muçulmana é, como um todo, profundamente conservadora. É socialmente tolerável não ser ativamente religioso, decidir não rezar ou não cumprir outros atos de fé, ou ter atitudes seculares. Mas declarar-se abertamente ateu pode levar ao ostracismo por parte da família e de amigos, e se essa declaração for pública demais, pode provocar retaliações por parte dos islamitas linha-dura ou mesmo das autoridades.

Ainda assim, essa minúscula minoria tem dado pequenos passos para fora das sombras. Nas redes sociais da internet, grupos começaram a aparecer em meados da década passada. Agora, a Primavera Árabe que começou no início de 2011 deu a eles mais um impulso. A atmosfera inebriante da revolução, com suas ideias de mais liberdade de expressão e de questionamento de tabus impostos há muito tempo, encorajou a abertura.

Fuad [nome fictício], um engenheiro egípcio de 40 anos, criado como muçulmano, disse à Associated Press que já era ateu há muito tempo, mas mantinha isso como segredo. O levante de 2011 no Egito e seu clamor por mudanças radicais o encorajaram a procurar na internet por outros que fossem como eleo. “Antes da revolução, eu vivia uma vida de solidão total. Não sabia de ninguém que tivesse a mesma crença. Agora, nós temos mais coragem do que costumávamos ter.”

O caso dele ilustra os limites de até onde um ateu pode ir. Assim como quase todos os outros ateus entrevistados pela AP, ele falou sob a condição de não ter seu nome revelado, por temor de represálias, abusos ou problemas com sua família. Sua “saída do armário” acontece somente na internet. E mesmo a internet não é inteiramente segura. Na maioria dos países árabes, ser ateu não é exatamente ilegal, mas frequentemente há leis contra “insultar a religião”.

No ano passado, o egípcio Alber Saber, um ex-cristão que se identifica como ateu, foi preso depois de seus vizinhos reclamarem que ele havia postado um filme anti-Islã em sua pagina no Facebook. Embora Saber tenha negado as acusações, ele foi sentenciado a três anos de prisão por blasfêmia e desprezo pela religião. Solto sob fiança durante o julgamento de um recurso, ele mudou-se para a França.

Do mesmo modo, o ateu palestino Waleed al-Husseini foi preso em 2010 na cidade de Qalqilya, na Cisjordânia ocupada, sob a acusação de ter zombado do Islã na internet. Ele foi mantido preso sem acusações pendentes por vários meses; depois de sua soltura, também fugiu para a França.

Mesmo assim, o espaço na internet está florescendo. Há no Facebook cerca de 60 grupos de ateus de língua árabe. Exceto por cinco deles, todos foram criados depois da Primavera Árabe. Eles vão de “Ateus do Iêmen”, com apenas 25 seguidores, até “Ateus Sudaneses”, com 10.344 membros.

Há páginas que parecem desativadas, mas a maioria mantém alguma atividade. Há uma “Rede Árabe Ateia de Transmissão”, que produz clips ateístas no YouTube. E há grupos fechados, como um clube de encontros ateísta no Egito. Alguns atraem comentários negativos fortes. Um comentarista, que chamava a si mesmo de Sam, escreveu que “atacar o Islã tornou-se a passagem mais barata para a Europa”, numa referência aos que fugiram de seus países muçulmanos de origem. Escrevendo no site Elaph, Sam também se referiu aos ocidentais que se convertem ao Islã, dizendo: “Nós, muçulmanos, recebemos os melhores deles, e eles recebem lixo de nós.”

Com informação das agências.






Sete países têm lei de pena de morte a ateus, revela relatório
dezembro de 2012

Comentários

Post mais lidos nos últimos 7 dias

90 trechos da Bíblia que são exemplos de ódio e atrocidade

Em vídeo, Malafaia pede voto para Serra e critica Universal e Lula

Malafaia disse que Lula está fazendo papel de "cabo eleitoral ridículo" A seis dias das eleições, o pastor Silas Malafaia (foto), da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, gravou um vídeo de 8 minutos [ver abaixo] pedindo votos para o candidato à prefeitura de São Paulo José Serra (PSDB) e criticou a Igreja Universal e o ex-presidente José Inácio Lula da Silva. Malafaia começou criticando o preconceito que, segundo ele, existe contra pastor que emite opinião sobre política, o mesmo não ocorrendo com outros cidadãos, como operários, sindicalistas, médicos e filósofos. O que não pode, afirmou, é a Igreja, como instituição, se posicionar politicamente. “A Igreja é de Jesus.” Ele falou que tinha de se manifestar agora porque quem for para o segundo turno, se José Serra ou se Fernando Haddad, é quase certeza que será eleito, porque Celso Russomanno está caindo nas pesquisas por causa do apoio que tem recebido da Igreja Universal. Afirmou que apoia Serra na expectativa de...

Caso Roger Abdelmassih

Violência contra a mulher Liminar concede transferência a Abelmassih para hospital penitenciário 23 de novembro de 2021  Justiça determina que o ex-médico Roger Abdelmassih retorne ao presídio 29 de julho de 2021 Justiça concede prisão domiciliar ao ex-médico condenado por 49 estupros   5 de maio de 2021 Lewandowski nega pedido de prisão domiciliar ao ex-médico Abdelmassih 26 de fevereiro de 2021 Corte de Direitos Humanos vai julgar Brasil por omissão no caso de Abdelmassih 6 de janeiro de 2021 Detento ataca ex-médico Roger Abdelmassih em hospital penitenciário 21 de outubro de 2020 Tribunal determina que Abdelmassih volte a cumprir pena em prisão fechada 29 de agosto de 2020 Abdelmassih obtém prisão domicililar por causa do coronavírus 14 de abril de 2020 Vicente Abdelmassih entra na Justiça para penhorar bens de seu pai 20 de dezembro de 2019 Lewandowski nega pedido de prisão domiciliar ao ex-médico estuprador 19 de novembro de 2019 Justiça cancela prisão domi...

Cartunista Laerte anuncia que agora não é homem nem mulher

Drauzio Varella afirma por que ateus despertam a ira de religiosos

Redes sociais fazem piada com pastor cheirador de Bíblia

Imagem ilustra convite para "Quarta Louca por Jesus" “Carreira gospel”, “ao pó voltarás” e “essa droga é a pior de todas” são algumas das piadas e trocadilhos feitos no Facebook e em outras redes sociais sobre a imagem onde o pastor Lúcio Barreto  aparece cheirando uma Bíblia. Trata-se de um convite para o culto “Quarta Louca por Jesus”, que o pastor celebra para jovens na Igreja Missão Evangélica Praia da Costa, em Vila Velha, no Espírito Santo. "A loucura não tem fim", diz o convite. Alguns evangélicos acham que o pastor exagerou ao associar a Bíblia a uma droga. Lucinho, como o pastor é chamado, é da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte. Ele foi procurado por jornalistas para falar sobre a repercussão de sua imagem de “cheirador de Bíblia”, mas não foi encontrado, porque se encontra nos Estados Unidos. O pastor Simonton Araújo, presidente da Missão Evangélica Praia da Costa, disse que o objetivo da imagem é convencer os jovens drogados que ...

Eu tinha 6 anos e minha avó estava me benzendo. Então tudo mudou: me tornei cético

Malafaia se refere a Wyllys como deputado ‘safado, mentiroso’

Malafaia disse que ser gay  é um comportamento O pastor Silas Malafaia (foto), 53, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, se referiu como “safado, mentiroso” ao deputado federal segundo o qual a igreja evangélica causa tortura física e psicológica quando se propõe a curar a homossexualidade. Ele não citou o nome do único deputado federal assumidamente gay, Jean Wyllys (PSOL-RJ). Foi esse deputado que recentemente acusou igrejas de causarem  sofrimento aos gays ao considerarem a homossexualidade uma doença que tem cura. Malafaia, que é formado em psicologia, afirmou que “a igreja não cura”, mas propicia a “libertação” [da homossexualidade]. Para ele, “ninguém nasce homossexual” porque se trata de “um comportamento como tantos outros”, a ponto, inclusive, de haver ex-gays. “Existe uma associação de ex-gays”, disse o pastor ao portal iG. “O cara que preside foi travesti em Roma, com silicone no peito e na bunda (ri). Ele é casado há dez anos.” Ele acusou, mais...

Wyllys luta contra a 'poderosa direita religiosa', diz Guardian

Jornal dedicou texto de 700 palavras ao deputado Wyllys disse que se sente como um Don Quixote O jornal britânico The Guardian afirmou que o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), 37, na foto, tem sido um guerreiro contra a poderosa direita religiosa brasileira. Nesse embate, afirmou o jornal, “o primeiro deputado federal assumidamente homossexual do Brasil precisa de todo o apoio que puder conseguir”. Comparou Wyllys a Havey Milk (1930-1978), que foi o primeiro político gay assumido dos Estados Unidos  - ele foi assassinado. Wyllys disse ao The Guardian que às vezes, nessa batalha, se sente como dom Quixote. “É uma batalha difícil de combater, mas essa é a minha vocação.” Ele afirmou que pregadores radicais evangélicos avançaram “silenciosamente nos corações e mentes” dos brasileiros. “Agora, estamos começando a perceber a força política em que se tornaram.” Para o deputado, os pastores radicais estão com “as mãos sujas de sangue” porque a sua pregação ince...