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Padre afirma que ateu que se preza não fala sobre Deus

padre Paulo José Ferreira Visintainer
Visintainer diz como o ateu militante
 deve se comportar com coerência
Em um comentário no qual me acusa nas redes sociais de difundir “notícias erradas” sobre o sorteio de um iPad mini pela capela do cemitério Gethsêmani, em São Paulo, no Dia de Finados, o padre Paulo José Ferreira Visintainer (foto), da Diocese de Campo Limpo, acabou se atendo mais as suas críticas ao que entende ser “ateu militante”, embora um assunto não tenha nada a ver com outro. O padre demonstrou, assim, despropósito e gratuidade. 

Transcrevo abaixo o trecho em que Visintainer dita regras sobre como um “ateu militante coerente” deve agir. As minhas respostas ao padre estão em azul.

“Ateus não deixam Deus em paz”

"[...] Além do mais reitero minha palavras "Ser um ateu militante é uma contradição. Interessante como os ateus não deixam Deus em paz, estão sempre falando Daquele que para eles não existe!"

Todos podem falar sobre tudo, o que inclui os deuses, e isso independe de se ter ou não religião e de ser ou não ateu. Trata-se do direito à liberdade de expressão, que está previsto na Constituição.  

"O ateu não acredita em Deus. Ponto final."

Parece que o padre descobriu que a roda é redonda.

"O ateu que se preze não perde tempo falando de algo que não existe para ele. Assim deve ser um ateu coerente."

O padre confirma sua vocação autoritária ao querer determinar como deve ser um “ateu coerente”. Ainda bem que, para os ímpios, passou o tempo da Inquisição. O raciocínio do padre é simplista, talvez por conveniência, porque duvido que ele seja tão inepto. Deus obviamente não existe, mas os males causados em nome de crenças e deuses são bem reais. O que os ateus têm feito é denunciar esses males.

"Já o sacerdote fala do ateísmo como fenômeno social daqueles que não professando uma fé e uma religião fazem da negação de Deus a sua fé e a sua religião."

O padre continua fazendo papel de inepto, como se a religião não pudesse ser abordada também como um “fenômeno social” por quem quer que seja. No mais, é curioso que o padre tenha associado a religião a algo que, para ele, é negativo  o ateísmo.

"Eu acredito que, a não ser que os católicos sejam provocados, difamados e caluniados, sequer devem dar atenção aos que se chamam de ateus. Temos mais o que fazer, o seja, falar da nossa fé para quem esteja interessado."

Ele sugere que eu caluniei os católicos, mas não aponta a calúnia. Foi leviano, cometeu pecado. Diz ter mais o que fazer, falar sobre o catolicismo aos “interessados”. O padre só não admite, como deixou claro, que ateus falem sobre ateísmo a quem quiser ouvir. 

"Portanto o meu comentário [sobre a suposta contradição dos ateus militantes] não foi gratuito, mas uma defesa da minha instituição e de meu bispo. Não foi despropositado, ao contrário motivado e com a única intenção de ironizar a contradição de um ateu militante que não publicou uma informação verdadeira, repito, seja por ingenuidade ou por má fé."

Sobre o sorteio de um iPad pela capela do Gethsêmani, publiquei duas notas [links abaixo], e, numa delas, transcrevi a íntegra de um esclarecimento do cemitério, para que o leitor fizesse o seu próprio juízo. Apesar disso, o padre diz que não publiquei “uma informação verdadeira”, como se a nota oficial do cemitério não fosse “informação” . O fato é que, ao tentar me desmentir, o padre apenas confirmou que haveria, sim, o sorteio do iPad mini. 





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Casos de fanatismo religioso     Ateísmo


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