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Irlanda se libertou do catolicismo ao aprovar o casamento gay

por Alessandra Rizzo
para La Stampa

Escritor O'Toole disse
que país fez opção por
uma sociedade tolerante 
“É maravilhoso hoje sermos irlandeses, estamos orgulhosos”. Fintan O’Toole (foto), escritor, historiador, ensaísta, um dos maiores intelectuais e observadores do país, não poderia estar mais feliz com a legalização por referendo do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Os irlandeses fizeram uma declaração de intenções sobre aquilo que querem ser no mundo: uma sociedade aberta, tolerante, humana”.

“Não estou surpreendido pelo resultado”, diz ele. “O que surpreende é a medida da vitória. Um dos aspectos mais significativos é que não houve uma grande divisão social ou geográfica, entre cidades e campo, como costumeiramente acontece nestes casos. Isto faz entender que há uma aceitação do tema que vai bem além da classe urbana médio-alta”.

Entrevista

Como explica a mudança?

Não se pode ignorar que o declínio da Igreja Católica tenha contribuído muito. Hoje a maioria dos irlandeses não se faz mais conduzir pela Igreja sobre as questões morais. Isto tem muito a ver com o escândalo dos abusos sexuais.

É por isso que a campanha da Igreja foi menos enfática do que no passado?

É verdade, têm estado atentos. A oposição era clara, mas a linguagem mensurada. De um lado, creio que muitos prelados estejam sinceramente insatisfeitos com o modo como a Igreja tratou os gays nos séculos; de outra, uma linha demasiado dura poderia ser contraproducente. Além disso, nas cúpulas sabiam que teriam perdido, tanto valia fazê-lo com graça. Mas há também outros fatores que explicam o resultado.

Por exemplo?

A sociedade irlandesa sempre foi íntima, é pequena, todos se conhecem. Isto tornou a Irlanda um lugar terrível para os gays, que intrometiam na vida uns dos outros, se faziam mexericos, e muitos escondiam a própria sexualidade. Mas hoje vemos o reverso da medalha. Os gays que tiveram confiança com amigos, vizinhos, são vistos como parte da família, do grupo. A intimidade, de força negativa se tornou positiva.

O próximo passo será o aborto (hoje permitido somente em caso de risco de vida da mãe)?

Indubitavelmente o aborto voltará à agenda nos próximos quatro, cinco anos, provavelmente haverá outro referendum, ele é inevitável porque a situação atual não funciona. Quem quer que esteja no governo, após o voto de sexta-feira, terá consciência que a sociedade mudou.

Que outros temas sociais há em agenda?

A Igreja controla uns 90% do sistema educativo. Até agora tem podido dizer que refletia o ponto de vista da absoluta maioria, mas hoje está claro que não é mais assim. Então a questão é agora: como conter a tradição religiosa – que deve ser respeitada, pois ninguém quer minar o direito das pessoas à própria religião – no interior de uma sociedade variegada, laica e pluralista?

Que mensagem parte de Dublin ao restante da Europa?

Quem se opõe à mudança sempre disse que aquela conversa do direito dos gays era o tema de uma elite. O referendum mostrou, no entanto, que não é assim. Voltaram a votar pessoas de todas as partes do mundo, se registraram jovens desiludidos da política. Este é um tema que revigora a democracia: não tem a ver somente com a Irlanda, ou com os gays, é o tema da igualdade que apaixona. Redefinimos a normalidade, é esta a mensagem do voto: aquilo que consideramos normal mudou no século vinte e um, e é tempo que os políticos acertem o passo.

Festejará?

Certamente. Meu filho trabalha na Suíça, ele e sua garota voltaram para votar. Respira-se um sentimento de felicidade, sem amarguras ou triunfalismos. Muitas famílias se reuniram. Que ironia: os conservadores falam de ataque à família, mas para nós é uma grande celebração da família.

Com tradução de Benno Dischinger para IHU Online.





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