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Grandes empresas de tecnologia apoiam casamento homossexual



Mais de 300 empresas
pediram à Justiça para
defender a união gay

O pastor Silas Malafaia pediu a pessoas de todas as religiões e a ateus que boicotassem os produtos da Boticário por causa de um anúncio da empresa de cosméticos que mostra (de maneira bem discreta) dois casais homossexuais.

Se Malafaia tivesse feito o mesmo pedido em relação às empresas de tecnologia, os seguidores dele teriam de parar de acessar a busca do Google e seus demais serviços, deixar de usar o Facebook, Twitter e Dropobox, nada comprar da Amazon e eBay, desistir dos produtos de empresas como HP e Xerox, não assistir aos filmes da Disney, não tomar Coca-cola e Pepsi e ficar longe de computador com o sistema operacional da Microsoft, o Windows, e da Apple.

Essas empresas multinacionais, na maioria do setor de tecnologia, e outras mais de 300 empresas norte-americanas com atuação em todo o mundo, apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Obviamente, um boicote envolvendo serviços e produtos de tantas empresas seria impossível. A não ser que os seguidores de Malafaia, inclusive o próprio, fossem colocados em uma máquina do tempo e enviados para a idade da pedra.

O apoio de grandes empresas americanas ao casamento homossexual está documentado.

No começo de maio de 2015, elas protocolaram na Suprema Corte dos Estados Unidos pedido para que fossem consideradas amicus curiae (amigo da corte) em julgamentos envolvendo união gay, de modo que elas possam expressar apoio à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território do país.

As empresas argumentaram que estão com dificuldades para manter uma política de contratação e retenção de bons empregados que são homossexuais por causa de leis estaduais que proíbem ou não reconhecem casamentos de homossexuais.

“A inconsistente colcha de retalhos de leis torna difícil e mais caro aos empregadores administrarem sistemas de benefícios em casos em que funcionários não podem se casar e daqueles cujo casamento não é reconhecido por alguns Estados”, afirmam as empresas no pedido para serem amicus curiare. “Isso custa dinheiro às empresas.” 

Ainda assim, dos 50 Estados norte-americanos, em 36 há casamento gay, mesmo havendo lá pastores tão fundamentalistas e até mais do que Malafaia. Do total da população, 70% vivem sob legislação que não se opõe à união legal entre pessoas do mesmo sexo.

Provavelmente, as empresas superestimaram a questão da contratação de pessoal para indiretamente defender uma causa humanitária, o que nesse hipótese parece ser um caso único na história das grandes corporações, muitas delas arquirrivais entre si nos negócios.

Com informação da íntegra do pedido de amicus curiae, do escritório Morgan Lewis e de agências.



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