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Padre gay expulso do Vaticano ataca a homofobia da Igreja

por José Manuel Vidal
para Religión Digital

O padre expulso do exercício sacerdotal e do Vaticano após declarar-se gay e revelar que tinha um companheiro, o polonês Krzysztof Charamsa (foto), publicou seu primeiro livro, La Prima Pietra (A primeira pedra), no qual volta a atacar a “homofobia patológica” e a “misoginia” da Igreja.

Charamsa (com seu
companheiro) escreveu
livro acusando a Igreja
 
Morando em Barcelona há nove meses, onde vive com o parceiro, um catalão, Charamsa explicou em uma entrevista à Efe que para ele a capital catalã é “uma pátria”.

“No meu país, a Polônia, há uma propaganda da Igreja, do mundo da política e da mídia contra mim, mas em Barcelona vivi exatamente o contrário”, destacou.

“Minha mãe e minha família sofreram muito com tudo isto: um dos meus sobrinhos foi rejeitado na escola porque seu tio é um pervertido, mas aqui as pessoas me dão os parabéns quando me veem na rua.”

Sobre seu primeiro livro, que acaba de publicar na Itália pela Editora Rizzoli e que quer traduzir para o castelhano e o catalão, afirma que “não é literatura gay”.

O livro conta “a história de um indivíduo que está relacionado com uma instituição, a Igreja, na qual acredita, porque é profundamente crente, mas ao mesmo tempo descobre que esta silenciou e matou uma parte de si mesmo”.

Sobre sua vida antes da confissão pública que o obrigou a afastar-se do sacerdócio, Charamsa afirmou que “a Igreja me obrigava a pensar que a homossexualidade é algo patológico, que é algo mau do que tenho que me envergonhar. Eu, fiel a todas as normas que me foram impostas, me fechei atrás de um muro ideológico durante grande parte da minha vida”.

Em seu livro, Charamsa volta a reivindicar que “a palavra de Deus não condena a homossexualidade, mas está em condições de entendê-lo. No futuro, a Igreja também o aceitará e o entenderá, como já o fez em seu momento com as teorias de Darwin, Copérnico e Galileu”.

“No clero há muitíssimos homossexuais que sofrem por sua própria condição. Tentam matá-la, esquecê-la, mas não podem, e sentem ódio, sobretudo das pessoas que vivem de forma livre aquilo que eles sofrem. É uma grande paranoia institucionalizada”, afirmou.

No livro também denuncia que “a Igreja dificulta o reconhecimento dos casais que não podem ter filhos e que buscam a ajuda da ciência e convence as mulheres maltratadas de que devem rezar e suportar essa violência sem defender-se, porque não se pode romper o matrimônio”.

“Gosto de pensar que o meu livro é a primeira pedra de uma vida livre, de uma vida coerente com a própria natureza após a libertação”, afirmou.

Com tradução de André Langer para IHU Online.

Padre gay afirma que clero é amplamente homossexual



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