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Ong Direitos Humanos acusa Arábia Saudita de promover assassinato de migrantes

Na fronteira, quem não for fuzilado tem direito de escolha: tiro na perna direita ou na esquerda


MARÍLIA FIORILIO
Professora de Filosofia Política e Retórica
da Escola de Comunicações e Artes da USP
Jornal da USP

A velocidade de disseminação de fake news e deep fakes é assustadora, assim como os danos provocados. Mas talvez notícias reais e verificadas por fontes de alta credibilidade não fiquem nada a dever, em termos de urgência e emergência para sua solução.

  Estamos nos referindo ao aumento exponencial das violações aos direitos humanos, em particular àquelas que afetam o universo gigante de migrantes que fogem de guerras e da fome.

Um relatório da Human Rights Watch, publicado esta semana pela BBC, acusa a Arábia Saudita de promover o assassinato em massa de migrantes que tentam entrar no país em busca de trabalho na indústria de petróleo. Aqueles que se arriscam são abatidos a tiros pelos guardas de fronteira.

Governada de fato pelo príncipe Mohamed Bin Salman (o mesmo que encomendou o esquartejamento do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul), a Arábia Saudita, graças à amizade e zelo de seus amigos poderosos, consegue o feito de acobertar crimes que, se fossem cometidos no Irã, Crimeia ou Venezuela, seriam manchetes.

Mais de 200 mil pessoas por ano
tentam chegar ao Iêmen pela
travessia do Chifre da África

O relatório, intitulado They fired on us like rain (Atiram na gente como uma chuva), descreve em detalhes como as pessoas (a maioria etíopes) são alvos de explosivos e tiroteios da polícia quando tentam cruzar a fronteira do Iêmen. 

Os sobreviventes, que já haviam sido submetidos à extorsão do tráfico humano e jornadas penosas, acabam encurralados no Iêmen (alguns em campos de detenção na capital Saana) ou voltando, feridos, à Etiópia.

Conforme a Organização Mundial para a Migração, da ONU, mais de 200 mil pessoas por ano tentam essa perigosa travessia do Chifre da África para o Iêmen, e de lá para o Eldorado saudita. 

Crimes contra a humanidade não são privilégio do século 21. Basta lembrar os campos da morte no Camboja, durante o odioso regime do Khmer Vermelho e Pol Pot. 

A novidade é a escala e o padrão adotados pelo governo saudita. Basta dizer que a polícia de fronteira pergunta às suas vítimas se preferem levar um tiro na perna esquerda ou direita. “São assassinatos em massa”, diz o relatório sobre o período entre março de 22 e junho de 2023FF.

É esperado, mesmo desejável para nossa saúde mental, que se dê mais relevo à chegada na Lua de uma espaçonave da Índia. Mas seria importante que não se sonegasse da opinião pública fatos tão graves como esses.

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