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Nos EUA, ordem cobre obras de padre acusado de abusos, e Santuário de Aparecida se omite

A Igreja Católica do Brasil finge não saber que as obras mais representativas do padre Marko Rupnik estão aqui


Paulo Lopes
trabalhou na Folha de S.Paulo, Agência Folha, Diário Popular, Editora Abril e em outras publicações

A ordem leiga Cavaleiros de Colombo ligada à Igreja Católica cobrirá os mosaicos do chão ao teto da capela do Santuário Nacional de São Paulo II em Washington, D.C., e os da capela de sua sede em New Haven, Connecticut, de autoria do padre esloveno Marko Rupnik, que foi expulso da Companhia de Jesus por ser acusado de abuso psicológico e sexual de mulheres.

Cerca de três meses atrás, embora Rupnik seja suspeito de violação sexual há pelo menos uma década, o Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP), inaugurou discretamente mosaicos do padre na fachada Sul de sua basílica, fazendo par com as obras da ala Norte, as quais foram instaladas em 2022.

As vítimas do padre pressionam o Vaticano a mandar expurgar as obras do padre em dezenas de igrejas em vários países.

    FOTO: DIOCESE DE ROMA

Expulso da Ordem dos
Jesuítas, Marko Rupnik
continua com prestígio
na Igreja Católica do Brasil
 
O Santuário de Aparecida, o mais importante ponto de romaria da Igreja Católica do Brasil, tem se omitido, sem fazer nenhuma alusão às vítimas — um silêncio que acaba dando respaldo aos atos criminosos de Rupnik.

A ordem Cavaleiros de Colombo tem grande influência no mundo católico. Possui mais de 2 milhões de membros em todo o mundo. Em 2022, destinou o equivalente a R$ 1 bilhão em caridade em suas comunidade.

Inicialmente, a ordem vai cobrir os mosaicos com um tecido preto, para daqui a algum tempo substituí-lo por uma camada de gesso.

Outras igrejas do mundo vão se livrar de Rupnik, e, a medida que isso ocorra, mais visível ficará a conivência da Igreja Católica com obras que remetem a um estuprador.

Comentários

CBTF disse…
Para a Igreja Católica uma criança abusada é mãe, só por isso dá pra ver a índole de tal instituição.
Dr. Ronnie disse…
Não muda nada.

A não ser que, na própria obra do padre, haja referências à pedofilia dele.

O que a ICAR deveria fazer de verdade é pagar psicólogos e indenizações a toda essa gente.

Isso, sim, ajudaria, e muito.

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