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Mestranda da UNESP ganha prêmio por trabalho sobre o abandono de mulheres da América Latina

A partir de conto de Samanta Schweblin, Júlia Maria Lopes aborda a dura realidade e os 'fantasmas' das mulheres da região  


Mario Henrique Bastos Viana
jornalista 

Jornal da Unesp
publicação da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'

No início de novembro de 2025, uma delegação de 14 alunos de pós-graduação e 8 de graduação estiveram em Montevideu (Uruguai) para participar da 31ª edição das Jornadas de Jovens Pesquisadores. Trata-se de um evento anual realizado pela Associação de Universidades Grupo Montevideu (AUGM) que foi sediado na Universidad de la República (UDELAR) com o objetivo de promover o intercâmbio científico e estimular a formação de redes regionais de pesquisa entre jovens do continente. 

Durante três dias, mais de 700 estudantes apresentaram e assistiram resultados de trabalhos em 31 eixos temáticos.

Por meio de editais da AREX e da PROPG, a Unesp selecionou 22 trabalhos entre 160 inscritos, e apoiou a ida dos estudantes de graduação e pós-graduação, avaliados por docentes das áreas. 

“Nossa parceria já consolidada com a AUGM tem regularmente apresentado excelentes oportunidades para graduandos, pós-graduandos, docentes e servidores”, assinala o assessor-chefe da AREX, professor  José Celso Freire Junior.

Júlia Maria Guimarães Lopes, aluna do primeiro ano de mestrado no programa de Estudos Literários da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, apresentou o trabalho “Entre Fantasmas e a Realidade: Análise Dual do Conto 'Mulheres Desesperadas' de Samanta Schweblin”, e levou o prêmio de melhor trabalho de seu eixo temático.

Júlia Maria Guimarães Lopes: “É um evento fantástico. Discutir literatura com colegas pesquisadores latino-americanos foi muito gratificante e certamente enriqueceu minha pesquisa.”

O conto, do gênero fantástico, é sobre uma mulher deixada na beira da estrada pelo marido. Lá, ela encontra outras mulheres na mesma situação, da qual não conseguem sair.

“Este trabalho faz parte do tema que venho estudando há anos: a autoria feminina na América Latina. No artigo apresentado, argumento que é possível analisar o conto sob duas óticas diferentes, partindo do fantástico: a feminina, que explora os medos e as vulnerabilidades presentes no imaginário coletivo das mulheres; e a masculina, que faz uma sátira à sociedade patriarcal em que vivemos”, conta a mestranda, que teve 10 minutos para sua apresentação. 

“O prêmio é um reconhecimento de que minha pesquisa é boa. Isso é um grande incentivo para quem está no primeiro ano do mestrado, como eu.”


Júlia Maria Lopes:
“Discutir literatura com
colegas latino-americanos
foi gratificante e enriqueceu
minha pesquisa.”

Foi a primeira vez que Júlia viajou para fora do país representando a Unesp. Ela conta que procura ficar atenta aos editais da Arex. “É um evento fantástico. Discutir literatura com colegas pesquisadores latino-americanos foi muito gratificante e certamente enriqueceu minha pesquisa. Futuramente espero conseguir uma bolsa na Argentina ou outro país latino-americano para continuar minha pesquisa”, relata. 

“Quero agradecer meu orientador, o professor Bruno Vieira Gonçalves, que acreditou na minha pesquisa desde o início e sempre me inspirou com sua orientação.”

Helber Henrique Guedes, aluno do segundo ano de graduação em Geografia, na Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente, também viajou para o exterior pela primeira vez nesta Jornada. Ele apresentou o trabalho intitulado “Construção de Consciência Socioalimentar: Investigando a Relação entre Hábitos Alimentares, Desigualdade Social e Sustentabilidade no Pontal do Paranapanema”.

Em sua visão, participar da Jornada foi inspirador, pois teve contato com jovens de várias nacionalidades que também estão comprometidos com a transformação social e acadêmica. “Percebi que o desejo de mudança não está restrito apenas à extensão universitária, mas se manifesta em diversas áreas do saber”, observa Helber.

“A experiência no evento superou minhas expectativas, especialmente pelo formato adotado, que permitiu acompanhar apresentações de diversos eixos temáticos, e não apenas do eixo de minha escolha, que foi extensão universitária. Essa possibilidade ampliou minha visão sobre os diferentes campos de conhecimento e me permitiu dialogar com várias áreas, o que enriqueceu ainda mais a vivência”, afirma o estudante.

Livia Oliveira dos Santos, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, resume o sentimento que fica depois de uma experiência assim: “A partir desse evento espero poder retornar o investimento da UNESP com mais pesquisas, parcerias e desenvolvimento de ciência. Fico muito feliz de ter representando minha universidade e sua potência, e espero que essa experiência tenha sido a primeira de uma extensa lista que está por vir.”

Ela apresentou o trabalho "Estratégias de enfrentamento utilizadas por estudantes universitários brasileiros na pandemia de COVID-19 durante e após o isolamento social".

A delegação unespiana foi acompanhada pelas servidoras Thamires Riter de Faria, da Arex, e Renata Barbosa, da PROPG, e pelos docentes Carlos Roberto Grandini, do Departamento de Física da Faculdade de Ciências de Bauru, e Agnelo Marotta Cassula do Departamento de Engenharia Elétrica, da Faculdade de Engenharia e Ciências de Guaratinguetá.

Na visão do professor Grandini, os estudantes representaram muito bem a UNESP e demonstraram profundo envolvimento com seus projetos de pesquisa, trazendo contribuições relevantes e inovadoras em áreas diversas. “Esse engajamento reflete o compromisso da universidade com a produção científica de alta qualidade”, afirma o docente. 

“Os trabalhos apresentados, em geral, possuíam metodologias bem definidas e rigorosas, mostrando que os estudantes são bem treinados em pesquisa científica e têm acesso à orientação de qualidade.” 

Ele destacou também a relevância social dos projetos. “Muitos trabalhos abordavam desafios locais do Brasil que também dialogam com problemas globais, como sustentabilidade, saúde, educação e desigualdade”, observa.

Thamires de Faria ressaltou a importância de uma delegação robusta. “Acredito que foi muito importante a presença de uma delegação maior da UNESP este ano, destacando o nome da nossa universidade em discussões importantíssimas. Os alunos foram muito participativos, estiveram presentes em todas as atividades propostas, não apenas na apresentação de seus trabalhos.”

Renata Barbosa destaca a importância da participação nas Jornadas não apenas para estudantes, mas também para a carreira de servidores técnicos-administrativos. 

“Temos a oportunidade de conhecer os colegas que desempenham a mesma função em diversas instituições e trocar muitas experiências, aprendendo cada vez mais. Pude, além de conhecer os colegas, entender o tamanho da AUGM e a importância do trabalho feito pela associação”, declara.

Lista dos estudantes participantes: Aline de Jesús Nascimento, Barbara Maria Frigieri, Beatriz Messias de Paulo, Danilo Alves de França, Diogo Erik Sáenz Borda, Érica Rennó Biscalchim, Evelyn Cristine da Silva, Helber Henrique Guedes, Júlia Maria Guimarães Lopes, Kathy Briones Barbi, Livia Oliveira dos Santos, Otavio Ítalo Matos Uzumaki, Rodrigo Pagano Martins, Rômulo Lopes da Silva, Ryan Gustavo Pedrozo Dos Santos, Shisley Cristina da Silva Manso, Sonia Violante Ptasznik, Suzanna Neves Ferreira, Thalita Alves dos Santos, Thays Andréa Nogueira Lopes, Victor Rogerio Garcia Batista e Vinícius dos Santos Resende Rodrigues.

> Essa reportagem foi publicada originalmente com o título Jovens pesquisadores da Unesp participam de evento em Montevidéu.

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